Etapas regionais da Olimpíada Brasileira de Robótica e da Mostra Nacional de Robótica reuniram estudantes, educadores e projetos de diferentes escolas em Cotia

Em agosto, o Instituto Sidarta foi sede das etapas regionais da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) e da Mostra Nacional de Robótica (MNR). Realizado na sede do Sidarta em Cotia (SP), o encontro reuniu estudantes de escolas públicas e privadas, professores, famílias, pesquisadores e profissionais ligados à robótica.
Durante dois dias, o espaço que normalmente abriga a rotina escolar ganhou outra configuração: diferentes escolas passaram a compartilhar as mesmas arenas e espaços de convivência. Robôs, projetos, perguntas, erros, soluções e ideias circularam pelo campus.
Por que ser sede de uma competição de Robótica?
Receber eventos como a OBR e a MNR não significa apenas disponibilizar um espaço físico. Significa abrir esse espaço para outras comunidades escolares e criar oportunidades para que estudantes conheçam pessoas, projetos e caminhos diferentes dos seus. Foi justamente essa perspectiva que marcou a escolha do Sidarta como sede.
Tudo começou com uma visita de Anderson Rovaris Vieira, representante estadual da OBR ao Laboratório de Inovação Social Sidarta (LISS). Lá, Anderson conheceu projetos desenvolvidos pelos estudantes do Colégio a partir de problemas reais e identificou uma proximidade entre a proposta da OBR e o trabalho realizado pelo Instituto.
“É um projeto que conecta pessoas e gera impacto social real. Fiquei muito feliz ao perceber a sintonia entre os propósitos do Instituto Sidarta e da OBR: criar oportunidades, despertar talentos e mostrar que a inovação pode nascer em qualquer lugar.”
A escolha também resultou em um formato especial: as etapas regionais reuniram, no mesmo encontro, diferentes modalidades da OBR e também a programação da MNR.
Um campus ocupado por estudantes de diferentes escolas
Para Jaime Micheli Fontes, coordenador do LISS e da área de Tecnologias do Sidarta, um dos aspectos mais importantes de sediar o evento foi justamente a possibilidade de convivência. Estudantes que normalmente não teriam contato puderam compartilhar a mesma experiência. Alguns chegavam já com alguma bagagem anterior de participação em competições; outros estavam diante de sua primeira arena de robótica.
Essa diversidade também transformou a experiência dos estudantes do próprio Sidarta. Ao acompanhar a participação dos alunos do LISS, Jaime percebeu que muitos estavam diante de uma situação nova: ver seu espaço escolar ocupado por jovens de diferentes lugares e trajetórias. Para ele, esse movimento revela uma dimensão importante de sediar um evento como a OBR e a MNR: a escola também pode ser um lugar de encontro, circulação e pertencimento para quem está fora dela.
“Quando percebi que eles se integraram, começaram a participar e realmente introjetaram o clima do evento — porque isso é a grande festa da tecnologia —, entendi que eles estavam exatamente no lugar em que deveriam estar.”
Quando diferentes equipes enfrentam o mesmo desafio
Na OBR, estudantes precisam mobilizar conhecimentos de programação, eletrônica, além de habilidades em resolução de problemas para enfrentar desafios concretos. No encontro realizado no Sidarta, duas modalidades mostraram diferentes possibilidades de criação com a robótica: a Resgate e a Artística.
Na modalidade Resgate, os robôs percorrem uma pista e precisam responder às condições encontradas durante o percurso. Não basta executar uma sequência previamente preparada: o equipamento precisa interpretar o ambiente por meio de sensores e tomar decisões de acordo com a situação.

Já na Artística, a tecnologia encontra outras formas de expressão. As equipes desenvolvem robôs capazes de participar de uma apresentação, articulando programação, movimento e elementos criativos para compor uma performance. São desafios diferentes, mas que têm algo em comum: cada equipe precisa transformar uma ideia em uma solução concreta e lidar com situações que nem sempre saem como o planejado.

Para Anselmo, pai de estudantes do Sidarta e juiz voluntário durante a competição, observar diferentes equipes diante de seus desafios também foi uma oportunidade de aprendizagem: “Cada grupo constrói seu próprio caminho, desenvolve estratégias e encontra maneiras particulares de resolver os problemas propostos”.
Além do conhecimento técnico, Anselmo destaca a dimensão cultural da experiência: estudantes, professores e escolas com trajetórias distintas passam a observar como outras pessoas pensam, constroem e resolvem problemas de maneiras diferentes.
Da arena para a Mostra: projetos que nascem de perguntas reais
Enquanto a OBR colocava os estudantes diante de desafios competitivos, a Mostra Nacional de Robótica trouxe para o encontro projetos desenvolvidos por estudantes com diferentes aplicabilidades. Entre os trabalhos apresentados pelo Colégio Sidarta, estava o Sistema de Irrigação e Drenagem do Solo (SIDS), desenvolvido por Matheus, estudante do 8º ano, no LISS.
A pesquisa nasceu de uma questão real: como ajudar pequenos agricultores a lidar com perdas provocadas pelo excesso ou pela falta de água no solo? Na MNR, Matheus precisou apresentar sua proposta, responder às perguntas do público e dos avaliadores e conversar com estudantes de outras escolas. Também recebeu sugestões que poderiam contribuir para o desenvolvimento do projeto: “Conversar com estudantes de outras escolas proporcionou uma troca muito rica: eles puderam entender melhor a minha ideia e eu aprendi bastante com as deles.”
É nesse ponto que sediar a MNR ganha um significado especial para o Instituto: projetos desenvolvidos dentro do LISS encontram outros estudantes, educadores e perspectivas fora dos muros da escola. A pesquisa deixa de ser uma experiência vivida apenas por quem a desenvolveu e passa a fazer parte de uma conversa maior.
A primeira competição também começa com dúvidas
Para alguns estudantes do Sidarta, a OBR foi a primeira experiência em uma competição de robótica. Foi o caso de Davi e Rodrigo, integrantes da equipe Tecnopex, que participaram da modalidade Resgate. O robô foi construído a partir de kits LEGO Education, com motores, sensores e programação desenvolvidos pela própria equipe.
Durante a primeira rodada, o robô enfrentou dificuldades no percurso. A equipe precisou observar o que não funcionou, fazer ajustes e voltar para as etapas seguintes. Rodrigo conta que o grupo conseguiu transformar a dificuldade inicial em aprendizado. Davi, por sua vez, considera que a principal conquista aconteceu antes mesmo do resultado: conseguir imaginar, construir e colocar o robô para funcionar.

Essa experiência ajuda a explicar por que uma competição pode ser também um espaço de formação. O estudante precisa lidar com uma situação que não controla completamente, observar o que acontece, rever escolhas e tentar novamente.
O Sidarta como espaço de encontro
A realização da OBR e da MNR no campus coloca em evidência uma dimensão do trabalho do Instituto Sidarta: criar e apoiar experiências educacionais que façam o conhecimento circular e aproximem diferentes pessoas, escolas e perspectivas.
Durante os dois dias de evento, essa proposta ganhou uma forma concreta. O campus recebeu estudantes de diferentes escolas. O LISS abriu seus projetos para novos interlocutores. Famílias participaram da construção do encontro. Professores trocaram experiências. Juízes acompanharam soluções distintas para os mesmos desafios. E estudantes tiveram a oportunidade de descobrir que outras pessoas, em outros lugares, também estão fazendo perguntas, construindo projetos e imaginando possibilidades por meio da tecnologia.
Para Jaime, são experiências como essa que ajudam os estudantes a perceber que seus projetos podem encontrar lugar no mundo: “Quando os alunos idealizam um projeto, planejam, projetam, se empenham, fazem acontecer e percebem que outros jovens também sonharam possibilidades semelhantes, eles descobrem que seus sonhos também podem encontrar lugar no mundo — e se sentem pertencentes.”
OBR e MNR no Sidarta
A Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) é uma iniciativa que envolve estudantes em desafios relacionados à robótica, programação, tecnologia e resolução de problemas. No Sidarta, o encontro contou com as modalidades Resgate e Artística, além da participação de estudantes na modalidade teórica.
A Mostra Nacional de Robótica (MNR) reúne projetos desenvolvidos por estudantes e pesquisadores, criando um espaço para apresentação, divulgação científica e troca de experiências.
Da edição realizada no campus do Sidarta, 8 projetos desenvolvidos por estudantes do Colégio foram aprovados para avançar à etapa nacional da MNR, enquanto a equipe do Colégio conquistou o 4º lugar na Modalidade Artística da OBR.
As etapas regionais da OBR e da MNR foram realizadas em parceria por:


